sexta-feira, 22 de abril de 2011

VILA DO CHOCOLATÃO: Direito ao Direito de escolha


Há aproximadamente 25 anos, no centro da cidade de Porto Alegre, por entre os prédios da administração do município, é possível de se ver o crescimento e a transformação da comunidade que ali está instalada, e que de lá há previsão de ser retirada em função das revitalizações trazidas pela Copa de 2014 na cidade. A comunidade chama-se Vila do Chocolatão, e traz estampada em suas casas e becos, assim como nas suas gentes, a marca da desigualdade (re)produzida pelo sistema capitalista vigente na maioria das grandes cidades do globo, sendo chocante a falta de recursos e direitos dos homens e mulheres que nela vivem, e mais espantosa ainda a falta de iniciativa do Estado em garantir instalações minimamente salubres para os que ali habitam.

Entre ameaças de despejos e retiradas forçadas da comunidade dali, eis que no ano de 2009 a prefeitura de Porto Alegre aprova um Projeto de Trabalho Técnico Social, que prevê a realocação da comunidade da Vila Chocolatão, da Av. Loureiro da Silva – n°555 – bairro centro, para a região nordeste da cidade, no bairro Mario Quintana – Av. Protásio Alves – n°9099. O projeto passa a ser veiculado como modelo de atuação em caso de reassentamentos, tendo em vista que reuni, pela primeira vez, em uma dessas ações os poderes municipal e federal trabalham em união, assim como a esfera privada se faz presente na efetivação desse projeto, que visa trabalhar de modo horizontal na realização do reassentamento.




Aos olhos dos mais desatentos, assim como em uma visão superficial da situação, pode-se dizer que o projeto é interessante, e a ação sincera. Contudo, o quanto disso é realmente verdade, e mais o quanto é, ou não arbitrário? Já pensou se algum dia você está em sua casa, fazendo alguma coisa do seu interesse, ou só vivendo a sua vida cotidiana, quando tocam o interfone ou a campainha, e ao atender você é comunicado de que o condomínio onde você mora, será realocado dentro de alguns meses para uma área 12Km distante do lugar onde se encontra atualmente, e mais, nem todos os seus vizinhos serão removidos para nova área, só alguns deles. Não bastasse isso, a garantia de vagas nas escolas nesse novo local é quase nula, tendo em vista que a densidade demográfica dessa nova área é 10 vezes superior à que se encontra o seu condomínio, o sustento previsto nesse comunicado virá através de uma associação criada entre os vizinhos e alocada em um galpão de zinco dentro desse novo condomínio; e a associação de trabalhadores será totalmente dependente da prefeitura para conseguir material para realizar o trabalho, assim como, esse trabalho não pretende – e nem tem condições - de atender a todos os moradores do seu prédio que serão removidos. Você já pensou sobre isso algum dia? Pois é assim que as coisas estão se dando hoje na Vila Chocolatão - e quem abre os olhos para isso? E além, quem faz alguma coisa para que isso não aconteça?

Nos últimos dois anos, não é difícil de se encontrar, caminhando por entre a vila, alguns estudantes de direito ou de geografia, conversando ou jogando bola com os moradores da vila, assim como fazendo reuniões e assembleias, além de apoiar e incentivar as Associações de Moradores e Catadores da comunidade, tudo buscando ser feito da forma mais horizontal possível, não visando um trabalho para a comunidade, mas sim junto da comunidade, tentando com os moradores garantir junto a órgãos como o Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual a dignidade e justiça aos indivíduos da Chocolatão no reassentamento que se aproxima, assim como auxiliando uma possível resistência dos que ali estão há mais tempo e possuem o direito de seguir habitando o lugar.



Contudo, por mais ações e intervenções que se façam dentro e fora da vila, através do empoderamento dos moradores, e da troca de vivências entre os grupo de apoio e a comunidade, ainda assim não é possível assegurar que os diretos básicos já conquistados pela comunidade hoje, onde está, serão mantidos na nova área de moradia, como educação, saúde e trabalho - já que a bagunça e a burocracia em que se encontra o Estado, junto a essa demanda, impossibilita a circulação de informações transparentes, sinceras e confiáveis do processo na sua totalidade.

Por fim, fico me perguntando por que só acontece uma mobilização em massa na cidade, quando os interesses puramente individuais das pessoas são atingidos, e essas mesmas pessoas, ficam assistindo inertes e apáticas, à violação de direitos fundamentais de outros cidadãos, quando essa situação não lhes traz, ao menos diretamente, qualquer prejuízo.


Lara Bitencourt
Associação de Geógrafos Brasileiros - Coletivo de Apoio a Reforma Urbana

em colaboração de

Thiago Nunes
Serviço de Assessoria Jurídica universitária – Grupo de Assessoria a Justiça Popular


Assista ao vídeo produzido pelo GAJUP /SAJU-UFRGS e AGB – Seção Local Porto Alegre

sábado, 16 de abril de 2011

EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL


Desde o ano passado tramita na Câmara o novo projeto de lei de alteração do Código Florestal Brasileiro, proposto pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB – SP). Dentre as propostas estão algumas pérolas como a isenção das dívidas dos crimes ambientais; fim de áreas de preservação permanente nos topos de montanhas, morros e serras; diminuição das faixas de preservação às margens dos rios de 30 para 15 metros; descaracterização da vegetação nativa das reservas legais (com isso, monocultura de eucalipto e outras espécies exóticas cultivadas e larga escala poderão ser consideradas reservas legais); fim da proteção às áreas com mais de 1800 metros de altitude.


É evidente que esta nova proposta de código não atende às demandas de preservação ambientais hoje existentes, mas apenas aos interesses do agronegócio que precisa expandir seu lucro a qualquer custo, mesmo que este custo signifique a destruição de nossos recursos naturais. A cara de pau vai mais longe, quando os ruralistas que apóiam o projeto afirmam que os alimentos consumidos no Brasil são produzidos pelo agronegócio, sendo que segundo o censo agropecuário de 2006, 70% dos alimentos consumidos no país são produzidos pela pequena propriedade.




Desde o primeiro código florestal promulgado em 1934, esta é a primeira vez que uma atualização das leis ambientais recua diante dos interesses dos poderosos, justo num momento em que vivemos grandes catástrofes ambientais e precisaríamos justamente avançar na preservação. Mais uma vez a classe política se coloca em defesa dos interesses dos ricos e de sua depredação descontrolada.


O GADO É EXPORTAÇÃO!
A SOJA É PRA RAÇÃO!
EUCALIPTO NÃO FAZ FLORESTA!
EM DEFESA DA AGRICULTURA QUE NÃO ACABA COM O PLANETA!

ARENA Gremista - Extorsão e doação gratuita de área Estadual além de problemas ambientais - por Henrique Wittler

Apresentação sobre a ARENA Gremista, desencadeada pela Copa do Mundo de Futebol de 2014. 



O Estado do Rio Grande do Sul necessita uma nova ponte, sobre o Rio Guaíba, pois a atual (que se eleva para passagem dos navios) seguido tem panes e para, provocando a paralisação do tráfego para a zona sul. É velha, e um dia vai parar de vez. A nova, não é vialbilizada sob alegação de falta de recursos, cerca de 250 milhões

Contudo, no local onde a ponte poderia ser construída, o Estado retirou da FCORS uma área de 37 hectares para a entregar grátis à CONSTRUTORA OAS. Só a área vale mais de 500 milhões, o que permitiria a construção da necessária nova ponte sobre o Guaíba e ainda sobravam outros 250 milhões para residências populares na Vila Tronco.

Além disto, o projeto da Arena tem uma séria de implicações ambientais e na segurança do tráfego aéreo, pois se situa na proximidade da pista do Aeroporto Salgado Filho...

Por Engenheiro Henrique Wittler - henriquecpw@gmail.com

Obs.: O Engenheiro Henrique Wittler já veio na nossa Semana Geográfica da UFRGS ano passado para falar dos grandes empreendimentos sobre a Copa do Mundo. Ele fez um arquivo pps. muito bacana sobre a instalação da ARENA GREMISTA. Clique AQUI para baixar.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Amazônia e suas obras - Belo Monte. Texto da Dirce, professora do nosso Departamento

Amazônia e suas obras - Belo Monte


Professora Doutora Dirce Maria Antunes Suertegaray (AGB - Porto Alegre)
Departamento de Geografia e no Programa de Pós-Graduação em Geografia da 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul



Retorno da Amazônia. Durante os últimos dez dias, estive na região, em trabalho de campo 

no estado do Amazonas. Nesse breve tempo convivi com os novos profissionais do

ICMBIO, jovens, na faixa dos 25-35 anos, das mais diferentes profissões e dos mais 

diferentes lugares do país (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, 

Rio Grande do Sul, entre outros).


Tive esperança ao conversar com eles e observar o trabalho que fazem. São jovens 

que escolheram trabalhar, nas regiões mais longínquas do país, em nome da preservação da 

Amazônia. Entre eles é possível perceber um sentimento que se desloca entre o prazer, o 

gosto pelo que fazem e, o sentimento de angustia em relação à causa em que acreditam. 

Têm consciência da grande tarefa e das dificuldades efetivas de realizá-la, diante da 

burocracia, da falta de recursos e das políticas relativas ao crescimento econômico na 

relação com a preservação da natureza.

Leia o texto completo AQUI.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Grupo de Estudos SABERES SOBRE O ESPAÇO

Começou a funcionar dia 06 de Abril o Projeto de Extensão Grupo de Estudos SABERES SOBRE O ESPAÇO que visa discutir semanalmente o livro As Veias Abertas da América Latina.

Os encontros acontecem nas Quartas-feiras, a partir das 14:30, na sala Vanda Ueda. Não há horário de encerramento pois a discussão acerca do livro acontece até o grupo achar suficiente. Os participantes do grupo, que no primeiro encontro eram 6, constróem a discussão a fim de comparar dados do livro escrito em 1970 com dados atuais, relacionar conceitos abordados pelo autor com aqueles aprendidos ao longo do curso e destacar aquilo que julga ser importante, interessante. O projeto é coordenado pelo Professor Doutor Mario Leal Lahorgue,do LABES - Laboratório do Espaço Social.

O livro As Veias Abertas da América Latina, escrito por Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, aborda a história da América Latina, de sua colonização até a Idade Contemporânea, e sua relação com países europeus e com os Estados Unidos, por vezes conturbada.

Participe do Grupo de Estudos! 
Informações com o Fabrício Caetano (Adeva), por adv.caetano@gmail.com.