sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Volta do Povo à Praça

É neste sábado, dia 30 de abril de 2011, a partir das 8h da manhã que estaremos recebendo na praça Alexandre Zacchia, que fica em frente ao Quilombo do Sopapo, o Festival Literário de Porto Alegre realizando a segunda edição da Volta do Povo à Praça. Para saber mais da atividade e qual sua programação acesse http://quilombodosopapo.blogspot.com/2011/04/volta-do-povo-praca-e-festival.html . A nossa primeira edição da Volta do Povo à Praça foi no dia 27 de novembro do ano passado e para quem ainda não sabe do que se trata isto é legal aproveitar o momento, uma vez que as postagens dos blogs são registro da nossa história e do nosso processo para acessar http://quilombodosopapo.blogspot.com/2011/04/abraco-coletivo-volta-do-povo-praca.html.


E haverá um momento especial para o Quilombo do Sopapo na manhã deste dia 30, a partir da 10h30min, o lançamento do Livro Imagens Faladas - uma reportagem fotográfica sobre a memória do Bairro Cristal.Resultado da Residência Artística - interação Estética de mesmo nome. Esta atividade será realizada com a contação de histórias do que é feito o livro por seus personagens e entrevistadores além de uma sessão de autógrafos com a disponibilização de 50 exemplares para os presentes. Para saber mais do que é o imagens Faladas acesse o blog www.projetoimagensfaladas.wordpress.com.

Dia 30 de abril de 2011
das 8h às 18h
Praça Alexandre Zachia Avenida Capivari 602, bairro Cristal
A Volta do Povo à Praça - Festival Literário de Porto Alegre
51 - 3398-0602 e 51 - 96278626

Aproveitamos também para divulgar a matéria da Audiência Pública que tivemos aqui no Cristal no Salão Paroquial da Igreja Santa Teresa com a Câmara dde Vereadores. Audiência provocada Comitê Popular da Copa Cristal e as Associações de Moradores da Região sobre os impactos da copa do mundo 2014 acesse http://quilombodosopapo.blogspot.com/2011/04/moradores-do-cristal-exigem-area-do.html realizado na última quarta-feira dia 27 de abril de 2011.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Não ao Regimento Autoritário da SAE


De forma autoritária, a Secretaria de Assistência Estudantil quer implantar um novo Regimento Interno para a Casa de Estudante Universitário (CEU-UFRGS). Caso ele seja aprovado, os moradores ficarão proibidos, por exemplo, de andar sem camisa, consumir bebidas alcoólicas e de receber visitas após meia noite. Além disso, alunos de pós-graduação não poderão mais morar na casa, e as reuniões de moradores serão presididas por um servidor da universidade.

Pensamos que o regimento interno deve partir dos mais interessados no assunto: os próprios moradores! Por isso, fizemos várias reuniões e elaboramos a atualização do regimento que está em vigor.

Agora é hora de ir até a SAE e dizer que rejeitamos a proposta da SAE e exigimos a discussão e aprovação da NOSSA proposta de regimento.

Quinta-feira (28 de Abril), às 9:30 da manhã, concentração na frente da CEU, para às 10h estarmos todos "batendo na portinha do Edilson".

Mais informações: ceufrgs.blogspot.com
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terça-feira, 26 de abril de 2011

Os "Soldados Rasos" e a Copa do Mundo 2014

Soldado raso
tiraram meu homem das ruas
outro dia
ele usava um casaco de moletom dos L.A. Rams¹
as mangas cortadas
e debaixo
uma camiseta do exército
soldado raso
e ele usava uma boina verde
caminhava muito ereto
era negro e vestia calções marrons
o cabelo de um loiro apagado
nunca incomodava ninguém
roubava alguns bebês
e corria dando gargalhadas
mas sempre retornava com as crianças
ilesas
dormia atrás do
bordel
com a permissão das garotas
a compaixão se revela em
estranhos lugares.
certo dia não o vi mais
e depois mais outro se passou
perguntei nas redondezas.
meus impostos voltarão
a subir. o estado precisa lhe
dar abrigo e
comida. os policiais o pegaram.
isso não é
bom.

¹Time de futebol americano da cidade (N.T.)
Charles Bukowski ²

Charles Bukowski possuía uma literatura autobiográfica e seus escritos eram relatos de seu entorno, assim, ao ler o livro O amor é um cão dos diabos, deparei-me com o texto “soldado raso”, levando-me a refletir sobre a Copa de 2014. Mas incorre em erro quem pensar que o meu link de Bukowski à Copa no Brasil é sobre qualquer orgia que o turista estrangeiro possa querer vir buscar; a minha reflexão é sobre o viaduto da Borges de Medeiros (Porto Alegre-RS) e as dezenas de “soldados rasos” sobreviventes de lá, foi sobre as inúmeras isenções fiscais e “chamariscos terceiromundistas” (Decreto Municipal nº 16.796/10³) exaustivamente denunciados por David Harvey que estão ocorrendo em Porto Alegre, num verdadeiro retrocesso, sem contraprestação social alguma. Como um apaixonado por futebol, não me incomoda a Copa de 2014 aqui – aliás, quero ver o Uruguai jogando aqui -, fico incomodado pelos benefícios sendo dado a quem não precisaria ... me levando a pensar, qual a “função social” da Copa no Brasil? Só “Pão e Circo” ? E as dezenas de “soldados rasos” da Borges, simplesmente sumirão? Ocorrerá uma “limpeza social” em Porto Alegre ? Nas demais cidades onde ocorrerão a Copa, milhares de “soldados rasos” também sumirão ? Enfim, não sou contra a Copa do Mundo no Brasil, sou contra os fatos que se renovam e perpetuam a análise feita por Milton Santos: “Quem luta por direitos são as classes baixas, as altas lutam por privilégios”.

²BUKOWSKI, Charles. O amor é um cão dos diabos; tradução Pedro Gonzaga – Porto Alegre, RS: L&PM Editores, 2010.
³Regulamenta a Lei Complementar nº 605, de 29 de dezembro de 2008, que isenta a pessoa física, jurídica ou equiparada, nacional ou estrangeira, do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), do Imposto sobre a transmissão "inter-vivos", por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais a eles relativos (ITBI), das taxas instituídas pelo Município de Porto Alegre e da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP), conforme determina, e dá outras providências; e revoga o Decreto nº 16.260, de 30 de março de 2009.

Por Fabrício da Silva Caetano  - adv.caetano@gmail.com Geografia UFRGS

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ENPEG Abril 2011


Como alguns devem saber, aconteceu semana passada o ENPEG - Encontro Nacional de Práticas de Ensino de Geografia, em Goiânia com trabalhos de campo em outras cidades do estado de Goiás. Eu e o Victor Hugo representamos os graduandos da UFRGS; ainda estiveram presentes os professores Castrogiovanni, Ivaine Tonini e Nestor Kaercher e alguns mestrandos da PUCRS.

O encontro começou homenageando o professor Valter Guimarães, da FACED da UFG que faleceu no primeiro dia do evento. Triste, mas o show tinha que continuar. Os dias seguintes tiveram 5 mesas-redondas com temas relacionados à producação do conhecimento e à pesquisa sobre o ensino da Geografia, com professores de universidades de todo o país e ainda da Colômbia e do Chile, palestrando acerca dos temas
Referenciais teóricos e metodológicos na pesquisa sobre Geografia Escolar;
Cidade e cidadania: a abordagem do global e do local no ensino de Geografia;
Cartografia e novas linguagens no ensino de Geografia;
Natureza e ambiente e sua abordagem no ensino de Geografia;
Demandas sociais e temas relevantes no ensino de Geografia, com participação da professora Ivaine (FACED-UFRGS).

Os eixos temáticos para apresentação de trabalhos foram divididos em:

GT1: Formação de professores
GT2: Método e ensino/aprendizagem
GT3: Cidade e Cidadania no ensino de Geografia
GT4: Cartografia Escolar
GT5: As temáticas físicas e ambientais no ensino de Geografia
GT6: Conceitos geográficos no ensino básico
GT7: Escalas de Análise Geográfica
GT8: Diferentes linguagens no ensino de Geografia
GT9: Materiais Didáticos no Ensino de Geografia
GT10: Geografia em diferentes contextos (EJA, Educação no/do campo, Educação especial/inclusiva, grupos
culturais etc)
GT11: Geografia nos anos iniciais do ensino fundamental
GT12: Currículo e avaliação na formação inicial e na pratica escolar



Nas duas manhãs de apresentações de trabalhos assisti ao GT 8, onde troquei idéias com o pessoal que trabalha o Ensino da Geografia de formas diferentes da convencional, com o uso de filmes, seriados, músicas, charges, trabalhos manuais, aulas que extrapolam os limites da sala de aula, a fim de tornar a construção do conhecimento mais eficaz e atraente, com alunos de todas as idades e particularidades. Aprendi muito com essas experiências que foram apresentadas.

No final da tarde de Terça-feira, 19/04,  apresentei o pôster intitulado (Re)textualizando Experiências Pedagógicas Através do PIBID, de autoria minha, da Larissa P. Soares e do Prof. Dr. Antonio Carlos Castrogiovanni. No blog do PIBID Geografia UFRGS podes obter mais detalhes.

As saídas de campo marcaram o final do encontro, com viagens para Cidade de Goiás, onde se presenciou a Procissão do Fogaréu, Brasília e Pirenópolis.
Pelas festas, receptividade dos goianos (e dos colegas de todo o Brasil que me 'adotaram'), saídas de campo, palestras e trabalhos, considerei esse encontro o melhor que já fui. Os licenciandos devem procurar eventos como este pois neles reafirmamos e potencializamos nossa vontade de ser educador.

Site do Encontro: http://www.enpeg2011.com.br/

Artur C. Klassmann

sexta-feira, 22 de abril de 2011

VILA DO CHOCOLATÃO: Direito ao Direito de escolha


Há aproximadamente 25 anos, no centro da cidade de Porto Alegre, por entre os prédios da administração do município, é possível de se ver o crescimento e a transformação da comunidade que ali está instalada, e que de lá há previsão de ser retirada em função das revitalizações trazidas pela Copa de 2014 na cidade. A comunidade chama-se Vila do Chocolatão, e traz estampada em suas casas e becos, assim como nas suas gentes, a marca da desigualdade (re)produzida pelo sistema capitalista vigente na maioria das grandes cidades do globo, sendo chocante a falta de recursos e direitos dos homens e mulheres que nela vivem, e mais espantosa ainda a falta de iniciativa do Estado em garantir instalações minimamente salubres para os que ali habitam.

Entre ameaças de despejos e retiradas forçadas da comunidade dali, eis que no ano de 2009 a prefeitura de Porto Alegre aprova um Projeto de Trabalho Técnico Social, que prevê a realocação da comunidade da Vila Chocolatão, da Av. Loureiro da Silva – n°555 – bairro centro, para a região nordeste da cidade, no bairro Mario Quintana – Av. Protásio Alves – n°9099. O projeto passa a ser veiculado como modelo de atuação em caso de reassentamentos, tendo em vista que reuni, pela primeira vez, em uma dessas ações os poderes municipal e federal trabalham em união, assim como a esfera privada se faz presente na efetivação desse projeto, que visa trabalhar de modo horizontal na realização do reassentamento.




Aos olhos dos mais desatentos, assim como em uma visão superficial da situação, pode-se dizer que o projeto é interessante, e a ação sincera. Contudo, o quanto disso é realmente verdade, e mais o quanto é, ou não arbitrário? Já pensou se algum dia você está em sua casa, fazendo alguma coisa do seu interesse, ou só vivendo a sua vida cotidiana, quando tocam o interfone ou a campainha, e ao atender você é comunicado de que o condomínio onde você mora, será realocado dentro de alguns meses para uma área 12Km distante do lugar onde se encontra atualmente, e mais, nem todos os seus vizinhos serão removidos para nova área, só alguns deles. Não bastasse isso, a garantia de vagas nas escolas nesse novo local é quase nula, tendo em vista que a densidade demográfica dessa nova área é 10 vezes superior à que se encontra o seu condomínio, o sustento previsto nesse comunicado virá através de uma associação criada entre os vizinhos e alocada em um galpão de zinco dentro desse novo condomínio; e a associação de trabalhadores será totalmente dependente da prefeitura para conseguir material para realizar o trabalho, assim como, esse trabalho não pretende – e nem tem condições - de atender a todos os moradores do seu prédio que serão removidos. Você já pensou sobre isso algum dia? Pois é assim que as coisas estão se dando hoje na Vila Chocolatão - e quem abre os olhos para isso? E além, quem faz alguma coisa para que isso não aconteça?

Nos últimos dois anos, não é difícil de se encontrar, caminhando por entre a vila, alguns estudantes de direito ou de geografia, conversando ou jogando bola com os moradores da vila, assim como fazendo reuniões e assembleias, além de apoiar e incentivar as Associações de Moradores e Catadores da comunidade, tudo buscando ser feito da forma mais horizontal possível, não visando um trabalho para a comunidade, mas sim junto da comunidade, tentando com os moradores garantir junto a órgãos como o Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual a dignidade e justiça aos indivíduos da Chocolatão no reassentamento que se aproxima, assim como auxiliando uma possível resistência dos que ali estão há mais tempo e possuem o direito de seguir habitando o lugar.



Contudo, por mais ações e intervenções que se façam dentro e fora da vila, através do empoderamento dos moradores, e da troca de vivências entre os grupo de apoio e a comunidade, ainda assim não é possível assegurar que os diretos básicos já conquistados pela comunidade hoje, onde está, serão mantidos na nova área de moradia, como educação, saúde e trabalho - já que a bagunça e a burocracia em que se encontra o Estado, junto a essa demanda, impossibilita a circulação de informações transparentes, sinceras e confiáveis do processo na sua totalidade.

Por fim, fico me perguntando por que só acontece uma mobilização em massa na cidade, quando os interesses puramente individuais das pessoas são atingidos, e essas mesmas pessoas, ficam assistindo inertes e apáticas, à violação de direitos fundamentais de outros cidadãos, quando essa situação não lhes traz, ao menos diretamente, qualquer prejuízo.


Lara Bitencourt
Associação de Geógrafos Brasileiros - Coletivo de Apoio a Reforma Urbana

em colaboração de

Thiago Nunes
Serviço de Assessoria Jurídica universitária – Grupo de Assessoria a Justiça Popular


Assista ao vídeo produzido pelo GAJUP /SAJU-UFRGS e AGB – Seção Local Porto Alegre